Confrontos com ambulantes atravessam gestões de Eduardo Paes e preocupam para eleição

 Publicado às 23h48



A relação entre a Prefeitura do Rio e vendedores ambulantes e trabalhadores informais acumula episódios de tensão desde o primeiro mandato de Eduardo Paes (PSD). A atuação da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) e da Guarda Municipal em operações de fiscalização, retirada de comércio irregular e apreensão de produtos provocou protestos, confrontos e denúncias de agressão ao longo dos anos. O histórico volta ao centro das preocupações da categoria com a candidatura de Paes ao Governo do Rio nas eleições deste ano, em meio à expectativa por medidas que tratem da atividade informal.


A ofensiva de ordenamento começou a ganhar maior dimensão no primeiro mandato, com o programa conhecido como “Choque de Ordem”. Em 2013, uma ação realizada no Buraco do Lume, no Centro, terminou em acusações de violência feitas por ambulantes, enquanto guardas afirmaram ter sido alvo de ataques. Em 2014, um novo tumulto ocorreu perto da Central do Brasil durante uma manifestação motivada pela morte de um camelô. Nos anos seguintes, operações de apreensão e retirada de vendedores continuaram provocando reações e mobilizações da categoria. 


A retomada de Paes à Prefeitura, em 2021, não encerrou as disputas – pelo contrário, os problemas continuaram. Em 2023, operações na Praia de Copacabana e no Largo da Carioca resultaram em novos embates entre trabalhadores e agentes públicos. Registros em vídeo mostraram o emprego de bombas de gás e, de acordo com relatos divulgados na época, balas de borracha. No ano seguinte, em 2025, imagens compartilhadas nas redes sociais registraram a abordagem de um ambulante por guardas no Largo da Carioca, incluindo golpes contra o trabalhador. Em suas manifestações sobre episódios do tipo, a Prefeitura sustentou que houve resistência ou agressões contra os agentes. 


Em 2026, novas ocorrências voltaram a expor a tensão entre a fiscalização municipal e os trabalhadores informais. Além de um confronto na orla, uma ação na Rua São José, no Centro, terminou com correria, prisões de ambulantes e ferimentos em agentes. As ocorrências se somam às queixas sobre apreensões e obstáculos para a regularização da atividade e mantêm o relacionamento entre a administração municipal e a categoria como um ponto sensível na trajetória política de Paes. Para os trabalhadores, o histórico ganha relevância no debate eleitoral deste ano. 






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